[COLUNA DA ERICA CYRIACO] O casal bem "entendido" dá certo ;)


Ultimamente tenho refletido muito sobre o que realmente importa na vida. Bem, adoro minha cervejinha, baladas e o "ficar sem compromisso", mas não vou viver para sempre disso. E o futuro que quero e vejo é o de construir uma família. Acredito também que, no fundo, este desejo é quase que unânime. Afinal, quem é que não quer chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho e/ou estudo e receber o conforto de um abraço, ser recepcionado com um sorriso, ser cuidado quando estiver doente e ter alguém para compartilhar dúvidas e os fantasmas da vida?
Além do mais, o ser humano precisa de metas. Ter um objetivo é um combustível para seguir em frente. E lutar por um benefício coletivo é mais encorajador do que batalhar para o seu próprio sucesso.
Não quero dizer que o a vida só tem graça para quem está acompanhado e anseia pela felicidade do outro. E nem que não dá para ser feliz sozinho. Mas que ter alguém por quem lutar é um estímulo para se conseguir o que se deseja mais facilmente. Até porque se tem uma mão para lhe apoiar quando surgirem as dificuldades.
No entanto nem tudo são flores, e em uma relação também surgem problemas. E se um casal hetero sofre com questões típicas de relacionamento, um casal homo passa, além disso, por situações peculiares, como, por exemplo, quando um dos parceiros é assumido e bem resolvido enquanto o outro ainda não se aceitou. É necessário ter paciência e compreensão para contornar isso, se ambos acharem que o "amor" vale a pena.
Um dos termos usados no mundo GLBT é "ser entendido", que quer dizer que a pessoa é gay.
Acho que este termo é bem funcional, pois designa alguém que, de fato, se entendeu. Que percebeu que, apesar de não ser o mais socialmente aceitável, é assim que ele é. E pronto. E por mais que essa pessoa não se assuma publicamente, pelo menos, assumiu para si mesmo. E isso já é um começo.
Seria ótimo ir à festa de final de ano e apresentar seu companheiro do mesmo sexo ou fazer um almoço de domingo unindo as duas famílias sem ser alvo de discriminação, risadinhas e repreensão. Mas, infelizmente, nem sempre é assim. Muitos se sentem obrigados a viver "clandestinamente" por medo de represálias ou de decepção por parte de entes queridos.
Enfim, antes de qualquer coisa, o primeiro passo é o auto-conhecimento. O homossexual que se "descobre"' assim, passa por uma fase de dúvidas e questionamentos e essa aceitação vai ser mais fácil ou mais difícil dependendo das influências que sofre: da sua criação, do meio em que vive, de sua personalidade...
Bem, acredito que, para um relacionamento dar certo (e aí eu falo de qualquer tipo de relacionamento: Pais X filhos, irmãos, namorados, amigos, etc.) é necessário respeito e compreensão. E no caso da situação do casal em que um se assume e o outro não, pode ser uma dificuldade para a relação, mas não é um empecilho para "dar certo".
Aliás, se houver RESPEITO e COMPREENSÃO por ambas as partes, nada vai ser um empecilho. ;)

Um comentário :

  1. Acabei de ler... gostei, vc fala de uma coisa tão comum, pouco discutida, que faz parte de nossas realidade e de uma maneira bem suave...Já passei por isso e sei como é complicado!

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