[COLUNA DA ERICA CYRIACO] O sono


Da janela, o barulho ensurdecedor do silêncio, permeia e invade o ambiente.
Meus olhos piscam, marejam, se fecham na esperança de não abrirem mais.
Mas, como eles reacendem, os pés acompanham a obrigatoriedade de seguir.
Meus dedos tentam expressar o que a mente indica
E percorrem o teclado na esperança vã de cuspir as entranhas.
Mais um gole pra ativar o córtex frontal.
Meia dúzia de palavras é jogada ao ar e não faz o menor sentido
As horas se lançam, os olhos se fecham, as palavras não saem
Se a envergadura da realidade cruza a linha da esperança
Que dizer da incredulidade que domina o Ser?
Sem linha de pensamento, não mais delongas.
Tudo é o que tem que ser
Sem certezas a averiguar, sem certezas a se agarrar
Só resta apertar o botão, a tampa fechar
E a garrafa vazia repousa.
O corpo cansado também.
Agora entro num mundo onde não há mais nada...
Nem eu, nem ninguém.

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