[MUDANDO DE ASSUNTO] Disputa vai além de Ronaldinho e Fla




Os recentes imbróglios de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo e Adriano no Corinthians são bem reveladores da estrutura do futebol brasileiro, se não da sua própria história. Adriano foi contratado por quase seu peso em ouro, e passou mais tempo longe dos gramados que da sua própria fisioterapia. Ronaldinho, depois de ser um dos protagonistas da queda do técnico Vanderlei Luxemburgo, e da contratação do "paizão" Joel Santana, rescindiu o contrato com o Flamengo que, segundo o jogador, lhe deve cerca de 40 milhões de reais.
Menos de um ano e meio de clube, dívida alegada de 40 milhões. É muito dinheiro. É dinheiro demais. Há de se ver se os valores e reclamações do jogador, ex-craque, são verídicas. Mas isso é coisa que a Justiça determinará.
Por enquanto, uso estes 40 milhões para uma breve reflexão: o Flamengo fez um contrato nestas bases? Prometeu valores desta ordem? Tudo indica que sim.  A Justiça decidirá quem tem direito ao que. Se Ronaldinho reclama esta bolada, Patrícia Amorim, presidenta do clube,  disse que o "Flamengo será implacável na busca pelos seus direitos". Briga de cachorro grande. Mas isso diz respeito apenas ao Flamengo, Ronaldinho e à Justiça, certo?
Não. Errado, redondamente errado. A dívida do Flamengo diz respeito a todos nós. O que quer que o ex-craque Ronaldinho ganhe do Flamengo, este dinheiro saiu — ou deixou de entrar — dos cofres públicos.
Os times brasileiros devem imensas fortunas ao Estado. Contratam jogadores, pagam salários altíssimos a técnicos porque deixam de pagar os impostos devidos. Jogam para a plateia, jogam para a política (muitos dirigentes de clubes foram e são deputados estaduais, federais).
O Flamengo, pego aqui apenas como exemplo, deve cerca de 140% de sua receita anual aos cofres do Estado. Seria como um trabalhador devesse dezesseis vezes o seu salário. Este trabalhador já teria todas suas contas fechadas, estaria com nome sujo e qualquer patrimônio teria sido penhorado para quitar as dívidas.
Mas isso não ocorre com os clubes de futebol. Eles continuam devendo milhões de reais e, mesmo assim, contratando jogadores a peso de ouro, repatriando ídolos, em um exercício grotesco de irresponsabilidade.
Espero, sentado, claro, que a frase da presidenta Patrícia Amorim pudesse ser por nós usada: "Vamos ser implacáveis na busca de nossos direitos", inclusive aqueles de cobrar o que um clube deve ao país.

Em entrevista, Ronaldinho nega antiprofissionalismo e culpa Fla


Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, o ex-jogador do Flamengo, Ronaldinho Gaúcho culpou o clube por sua saída. Bem à vontade na entrevista, realizada por Tadeu Schmidt, o Gaúcho respondeu calmamente a todas as perguntas. Negou que noitadas tenham atrapalhado seu rendimento nos jogos e  que tenha chegado ao clube sem condições para treinar. Também deixou claro que a queda de seu futebol não teve nenhuma relação com a falta de pagamentos por parte do Flamengo.
"A gota d'água [para a saída do clube] foi quando acumularam vários meses sem receber", disse o jogador, que fez questão de esclarecer que: "quando entra em campo, esquece de dinheiro e de todos os problemas".
"Tive alguns grandes jogos e em outros as coisas não saíram bem. Isso  ocorre com todo jogador. Foi uma coincidência e um azar [as más atuações] a gente começar a perder numa época que as coisas não estavam bem [na relação com o clube]. Sempre fui profissional por onde passei. Cansaço de não ter condições de treinar por que fui para balada, nunca", garantiu.
Sobre a acusação de ter levado mulher para a concentração, também negou. "Não levei ninguém. Encontrei uma menina que eu já conhecia no hotel. Aconteceu que fui no quarto dela e conversei com ela. Só isso. Não tem nada a ver com a saída do Vanderlei".
Questionado por Schmidt se as acusações eram todas mentirosas, o jogador respondeu: "desde que cheguei ao Flamengo, sempre tive a mesma conduta".
"Os sete meses que foram só vitórias não tinha história nenhuma. A partir do momento que o Flamengo passou a não conquistar títulos e vitórias, todo mundo começou a procurar o porquê e inventar muita coisa", justificou.

OUÇA O VÍDEO (AINDA NÃO ACHEI IMAGENS DISPONÍVEIS):

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